Converse com qualquer dono de empresa, pequena ou grande, ou com alguém que possua cargo de liderança em qualquer empresa, e eles sempre vão reclamar da qualidade da mão de obra nacional. Formação escolar deficiente, a formação acadêmica também não é lá essas coisas, as pessoas chegam no mercado de trabalho simplesmente pensando em ficar de 8 às 17h e receber o salário no final do mês. Não há comprometimento, ninguém 'veste a camisa'.

"O problema é que você, meu amigo superqualificado que possui perfil no LinkedIn, está medindo essas pessoas de acordo com a sua forma de medir o mundo. E isso é uma falha sua, não do ser funcionário."

Primeiro que você provavelmente espera mais das pessoas do que foi requerido delas na admissão. E não interessa se a pessoa mentiu pra ser contratada: é dever seu e da empresa assegurar, no processo seletivo, que as qualificações do currículo batem com o que a pessoa sabe de fato. E nessas horas, exigir demais na divulgação da vaga atrapalha mais do que ajuda. Por exemplo, você precisa mesmo que a pessoa tenha inglês intermediário (ou até avançado) pra vaga oferecida?

Me surpreendem alguns anúncios de vagas que exigem uma lista enorme de qualificações desejadas. Não porque seja impossível de alguém ter todas elas, mas pela crença de que um profissional que atende exatamente às suas necessidades está disponível facilmente no mercado. Não está.

É sua função, como gestor, identificar os funcionários com potencial de crescimento dentro da empresa e formá-los, seja interna ou externamente. E quando o funcionário começar a desempenhar as novas atividades, remunerá-lo por isso.

O custo invisível de não valorizar talentos

Tenho uma amiga técnica de contabilidade, que trabalhava em um escritório de contabilidade, somente ela e a dona, que era contadora. Essa amiga desempenhava as funções tão acima da média que após poucos meses a dona do escritório se sentia confortável de flexibilizar o próprio horário, até mesmo viajar com o marido por uma semana deixando essa amiga responsável pelo dia a dia do escritório.

As atribuições aumentaram, mas o salário não. Até o dia que uma outra proposta de trabalho chegou, e minha amiga cansada da falta de perspectiva, pediu demissão. E o novo emprego nem era melhor, mas pagava um pouco a mais e era uma mudança de ares.

Nessa hora que o maior erro acontece. Bons funcionários não são facilmente repostos. E parece que a maioria dos patrões e gerentes se esquece disso. O momento de valorizar o bom profissional é quando ele está na empresa animado, fazendo mais do que o esperado. E não depois, quando frustrado pela falta de perspectiva, ele arruma outro emprego.

Por não agirem dessa forma, as empresas perdem seus bons funcionários e ficam com aqueles que não se destacam, que não conseguiriam (ou que têm medo de buscar) outro emprego, e as coisas não avançam. E tome reclamação do chefe dizendo que os funcionários são ruins.

Minha amiga saiu, a ex-patroa se sentiu traída, e precisou de quase um ano (e três contratações) pra finalmente encontrar alguém que atendesse ao mínimo esperado. Se ela tivesse valorizado minha amiga, ela nem teria procurado outro emprego. E se tivesse recebido uma proposta quando pediu demissão (o que não é o ideal, mas ajuda a não perder o funcionário quando o trabalho de identificar e apoiar os bons funcionários não foi feito), minha amiga teria ficado.

A matemática da retenção

Se você tem um funcionário que faz sozinho o trabalho que antes você precisava contratar duas pessoas, aumente o salário dele. Não precisa dobrar, mas um aumento de 40 ou 50% vai dar um ânimo absurdo e incentivá-lo a trabalhar ainda melhor. Eu não disse mais, eu disse melhor.

Porque não vivemos mais na era da linha de produção, na qual o importante é o tempo trabalhado e o trabalho repetido. Hoje a maioria das funções exige algum tipo de trabalho intelectual, e uma boa ideia implementada pode gerar muito lucro. E a melhor fonte de ideias são seus próprios funcionários, que estão no dia a dia do negócio, lidando com os problemas.

E sem que você faça a sua parte, seus bons funcionários nunca conseguirão mostrar que são bons.

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